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O seu primeiro contacto com a pedra foi em 1980 aquando da sua aprendizagem como canteiro. Tal experiência deu-lhe uma forte base que, a par da sua capacidade natural, se tornou indispensável para a sua carreira como escultor.
Após a aprendizagem, começou o seu próprio caminho, ansioso por aplicar a sua perícia dum modo mais imaginativo e de explorar, à sua maneira, as potencialidades da pedra.
Trabalhou durante três anos na Alemanha, mas, apesar da reacção positiva do público, sentiu que tinha de repensar profundamente qual o modo e o caminho a tomar perante o seu trabalho.
Aos 25 anos fez, com sua mulher Uscha, uma viagem a Portugal (Monchique) e aí decidiram, espontâneamente, adquirir um terreno perto de Alferce, com uma pequena casa debruçada na encosta da montanha. O mundo que aí encontrou era completamente diferente da vida urbana na Alemanha - Natureza plena um lugar de eleição para escapar a opressão da vida contemporânea. Ali conseguiu encontrar a calma e o tempo para encetar o seu caminho como artista.
Foi em Monchique que começou a trabalhar o mármore, a pedra que tão bem conhecia e, além disso, foi fácil encontrar.
A sua ânsia de se exprimir duma maneira completamente livre, levaria inevitávelmente as formas abstractas. Apesar de ser essa a característica das suas obras, existe paralelamente uma relação com a Natureza o que lhes confere vida e calor. Tal relação não tanto na forma mas na concepção. O exemplo disso foi a adopção da asa como sugestão do movimento de voo.
O própio artista diz que, enquanto trabalha, não procura só resultados mas sim o modo da sua expressão que considera muito importante. Trabalha a pedra até ao limite, simultâneamente envolvendo-se e distanciando-se. A sua mente mantém-se aberta no curto caminho entre o conceito e a realização. O modo expressivo com que trabalha combinado com a sua intuição conferem ao seu trabalho uma inevitabilidade como se a obra estivesse aguardando a sua resolução dentro do bloco de pedra sem precisar de uma forma que lhe fosse imposta do exterior.
A vitalidade das suas recentes obras justifica os riscos assumidos na sua execução. As curvas subtis e as linhas fluentes excitam não só a admiração pela sua destreza técnica como também fazem revelar o seu talento invulgar e a sua imaginação.
Glyn Uzzell |